Oficina de Leitura

Aula 1: Aula de Introdução:

I)Apresentação da disciplina: Site, textos, avaliação.

II)Leitura com experiência que ultrapassa a decodificação  da história sinais.

O que diz o primeiro documento escrito

TEXTO 1: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39842626

DA BBC BRASIL, 08/05/2017  16H32

 

Na Antiguidade, acreditava-se que a escrita vinha dos deuses. Os gregos pensavam tê-la recebido de Prometeus. Os egípcios, de Tot, o deus do conhecimento. Para os sumérios, a deusa Inanna a havia roubado de Enki, o deus da sabedoria.

Mas à medida que essa visão perdia crédito, passou-se a investigar o que levou civilizações antigas a criar a escrita. Motivos religiosos ou artísticos? Ou teria sido para enviar mensagens a exércitos distantes?

§  Como satélites estão revelando segredos da civilização maia

O enigma ficou mais complexo em 1929, após o arqueólogo alemão Julius Jordan desenterrar uma vasta biblioteca de tábuas de argila com figuras abstratas, um tipo de escrita conhecida como "cuneiforme", com 5 mil anos de idade, mais antigas que exemplares semelhantes encontrados na China, no Egito e na América.

As tábuas estavam em Uruk, uma cidade mesopotâmica - e uma das primeiras do mundo - às margens do rio Eufrates, onde hoje fica o Iraque. Ali, desenvolveu-se uma escrita que nenhum especialista moderno conseguia decifrar. E o que diziam as tábuas?

Quebra-cabeça

Havia ainda em Uruk outro quebra-cabeça arqueológico que não parecia ter nenhuma relação com as escrituras: suas ruínas e de outras cidades da Mesopotâmia estavam repletas de pequenos objetos de argila, uns em formato de cone, outros, de esferas, e alguns, de cilindro.

Em seu diário, Jordan descreveu que esses objetos se pareciam com "itens cotidianos, como frascos, pães e animais". Para que serviam? Ninguém entendia, até a arqueóloga francesa Denise Schmandt-Besserat catalogar nos anos 1970 peças similares localizadas em toda a região, da Turquia ao Paquistão, algumas com até 9 mil anos de idade.

uma das primeiras cidades do mundo: tinha ruas, lojas, casas e edifício de até dez andares

Schmandt-Besserat concluiu que os objetos tinham um propósito simples: eram usados em um método de contagem por correspondência, ou seja, feito por meio da comparação entre grupos de objetos e suas quantidades.

Assim, peças com formato de pão poderiam ser usadas para contar pães; de jarra, para jarras; e assim por diante. Desta forma, não é preciso saber fazer uma contagem nem conhecer os números envolvidos, apenas verificar quantidades de cada grupo de itens e checar se são iguais.

A contagem por correspondência é inclusive mais antiga que Uruk. Com 20 mil anos de idade, o Osso de Ishango, fíbula de um babuíno encontrada próxima de uma nascente do rio Nilo na República Democrática do Congo, parece ter sido usado para contar fazendo marcas nele.

Mas as peças de Uruk eram mais avançadas, porque podiam ser usadas para contar quantidades diferentes, além de servir para somar e subtrair.

da sabedoria

A economia de uma grande cidade como Uruk envolvia comércio, planejamento e arrecadação de impostos. Então, é possível imaginar os primeiros contadores da história, sentados na entrada de um armazém, usando peças com formato de pão para contar sacos de grãos que entravam e saíam.

Peças e tábuas

Mas Schmandt-Besserat notou outro aspecto revolucionário. As marcações abstratas nas tábuas cuneiformes coincidiam com as formas de diferentes peças.

Ninguém havia se dado conta da semelhança, porque a escrita não parecia representar nada. Mas Schmandt-Besserat entendeu o que havia ocorrido.

§  A enigmática joia que revela a agonia da civilização maia

As tábuas tinham sido usadas para registrar o ir e vir das peças, que, por sua vez, registravam o trânsito de bens, como ovelhas, grãos e jarras de mel.

Assim, as primeiras tábuas podem ter sido feitas com impressões das próprias peças sobre a argila ainda mole. E os antigos contadores logo se deram conta de que seria mais simples fazer marcas nelas com uma lâmina.

Então, a escritura cuneiforme era uma símbolo estilizado de uma impressão de uma peça que representava um bem. Não surpreende que ninguém tenha feito tal conexão antes de Schmandt-Besserat.

Ela resolveu duas questões ao mesmo tempo. As tábuas de árgila adornadas com a primeira escrita abstrata do mundo não haviam sido usadas para escrever poesia ou enviar mensagens a lugares remotos. Foram empregadas para fazer contas - e também para elaborar os primeiros contratos.

Isso graças a uma combinação das peças e da escrita cuneiforme que permitiu criar uma ferramenta brilhante: uma bola oca de argila.

externa e interna destas bolas de argila serviam para registrar os termos de um contrato

Na parte externa da bola, as partes envolvidas no contrato podiam escrever os detalhes do acordo. Dentro, colocava-se peças que representavam o contrato: a partir do que estava escrito do lado de fora, era possível checar a validade do que estava dentro.

Não se sabe quais eram as partes nestes contratos. Podiam ser dízimos religiosos para templos, impostos ou dívidas privadas. Mas as bolas serviam como ordens de compra e venda e tornaram possível a vida em sociedade em uma cidade complexa.

Trata-se de algo muito importante. A maioria das transações financeiras estão baseadas em contratos escritos: seguros, contas de banco, bônus do governo, acordos hipotecários. Tudo é registrado desta forma, e as bolas mesopotâmicas são a primeira evidência arqueológica de que contratos escritos existiam naquela época.

Números

O legado dos contatos de Uruk incluiu outra inovação. Em princípio, o sistema para registrar cinco ovelhas simplesmente requeria cinco impressões separadas para representá-las. Mas isso era trabalhoso.

Por isso, foi criado um novo sistema que incluía usar um símbolo abstrato para diferentes números:

tábua é um recibo com registro de uma transação envolvendo gado

Os números sempre eram usados para se referir a uma quantidade de alguma coisa: não haviam "dez", apenas "dez ovelhas". Mas esse sistema era suficiente para registrar grandes quantidades, centenas e milhares.

Um pedido de indenização por um ato de guerra de 4,4 mil anos atrás exigia, por exemplo, 4,5 bilhões de litros de grãos de cevada ou 8,94 "guru". Era um valor impagável, equivalente a 600 vezes a produção anual dos Estados Unidos hoje.

Foi desta forma que os cidadãos de Uruk resolveram um grande problema de qualquer economia moderna: como lidar uma rede de obrigações e planos de longo prazo entre pessoas que não se conheciam bem ou nem sequer se conheciam?

Para isso, criaram não só as primeiras contas e contratos, mas também os primórdios da matemática e da escrita. Então, escrever não foi um presente dos deuses, mas uma ferramenta desenvolvida por uma razão muito clara: gerenciar a economia.

 

 

Aula 2:

Níveis de Leitura; Estrutura Profunda do Texto

TEXTO: PLATÃO, Francisco e José Luiz Fiorin. Para entender o texto, leitura e redação. Ed Ática, 16ª Edição.

 

Níveis de Leitura de um texto

 

Ao primeiro contato com um texto qualquer, por mais simples que ele pareça, normalmente o leitor se defronta com a dificuldade de encontrar unidade por trás de tantos significados que ocorrem na sua superfície.

Numa crônica ou numa pequena fábula, por exemplo, surgem personagens diferentes, lugares e tempos desencontrados e ações as mais diversas. Na primeira leitura, parece impossível encontrar qualquer ponto para o qual convirjam tantas variáveis e que dê unidade à aparente desordem.

Mas, quando se trata de um bom texto, por trás do aparente caos, há ordem. Quando, após várias leituras, encontra-se o fio condutor, a primeira impressão de desorganização cede lugar à percepção de que o texto tem harmonia e coerência.

Desse modo, pode-se imaginar que o texto admite três planos distintos na sua estrutura:

1) uma estrutura superficial, onde afloram os significados mais concretos e diversificados. É nesse nível que se instalam no texto o narrador, os personagens, os cenários, o tempo e as ações concretas;

2) uma estrutura intermediária, onde se definem basicamente os valores com que os diferentes sujeitos entram em acordo ou desacordo;

3) uma estrutura profunda, onde ocorrem os significados mais abstratos e mais simples. É nesse nível que se podem postular dois significados abstratos que se opõem entre si e garantem a unidade do texto inteiro.

Após o que ficou exposto, pode-se concluir que o leitor cumpre o trajeto que parte da estrutura da superfície, passa pela intermediária e, por fim, chega à estrutura profunda. Parte dos significados dispersos na superfície para ir atingindo significados cada vez mais abstratos.

Os três níveis que compõem a estrutura do texto serão designados, a partir desta lição, pela seguinte nomenclatura:

— nível mais superficial: estrutura discursiva; — nível intermediário: estrutura narrativa;

— nível mais profundo: estrutura profunda.

Cada um deles será estudado separadamente em lições posteriores.

Recado ao senhor 903

Vizinho —

Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi de-pois a sua própria visita pessoal — devia ser meia-noite — e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito, a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 — que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 2 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 2 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas — e prometo silêncio.


Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro

mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela".

E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

BRAGA, Rubem.- . In: ANDRADE, Carlos Drummond de et alii. Para gostar de ler;crônicas. São Paulo, Ática, 1975. v. 1, p. 74-5.

Aula 3:

Histórico do Texto

TEXTO: https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoeducacao/article/view/499/2587

Alfabetização, Escrita E Leitura: Lugares (Não) Escondidos na História Dennys Dikson ALFABETIZAÇÃO, ESCRITA E LEITURA Ano 28 • nº 90 • Mai./Ago. • 2013 175

A escrita na história Indagar-se sobre o que seria a escrita é uma questão que, provavelmente, até uma criança que está se inserindo na escola poderia responder. Certamente, porém, explicar como a História humana fez a evolução da arte de escrever, e imaginar as transformações que os traços foram ganhando no decorrer do tempo, torna-se uma tarefa bem mais árdua. A escrita surge pela primeira vez no mundo antigo, abarcada por um momento caracterizado pelo desenvolvimento de uma série de acontecimentos, o que podemos chamar de civilização. Ela – a escrita – advém, juntamente com a desenvoltura das artes, do governo, do comércio, da agricultura, dentre outros. Esse contexto socioeconômico e cultural, propulsor do desenvolvimento das civilizações, não poderia funcionar se não houvesse a escrita. Goelb, citado por Barbosa (1990, p. 34), assegura que “a escrita existe somente em uma civilização e uma civilização não poderia existir sem a escrita”. Essa afirmação é algo que merece uma reflexão. Seria possível a humanidade ter o desenvolvimento que hoje há – como Medicina, tecnologia, cultura, transporte, educação – caso não houvesse a escrita? Bem, dizer que sim seria uma resposta impensada e fora de uma possibilidade real. O homem não teria e não existiria, tal qual hoje, se os escritos, em seus inúmeros meios e suportes criados no passar da História, não fossem como o são, pois é “principalmente a partir do registro escrito que se recompõe a forma de vida de um povo em uma determinada época” (Barbosa, 1990, p. 34), ou seja, os desenvolvimentos das formas escritas marcaram significativamente a humanidade na passagem das épocas.

É interessante elevar alguns pontos importantes e lembrarmos que o homem, através dos tempos, vem buscando comunicar-se com gestos, expressões e com a fala. A escrita tem origem justamente no momento em que ele aprende a comunicar seus pensamentos e sentimentos por meio de signos que sejam compreensíveis pela comunidade da qual faz parte e que esse sistema funcione convencionalmente como forma de comunicação. Por esse motivo, podemos dizer, e com uma boa segurança, que a pintura foi o antecedente, o ancestral da escrita. “A pintura, o desenho, passam a ser utilizados como símbolos, como auxílio para identificar uma pessoa ou objeto” (Barbosa, 1990, p. 34). Esta é uma etapa considerada descritiva que, posteriormente, evolui para uma etapa mnemônica ou representativa, ou seja, o mesmo desenho representava sempre o mesmo objeto ou ser para todos aqueles que tinham compreensão desse sistema representativo. Logo após surge a logografia: um desenho do “sol”, por exemplo, significa o próprio sol, mas também pode ser “brilhante”, “branco”, “claro”, “dia”. A idêntica representação se apropria de significados associados, ainda que não ligados ao oral, à fala, ao idioma. São justamente os sumérios que dão o passo decisivo para o desenvolvimento da escrita, pois a escrita ideográfica, composta de sinais que representam ideias e não palavras, surge. Daí, mais um excepcional passo é moldado: a escrita logográfica evolui para a cuneiforme, passando a representar os nomes por desenhos dos sons desses nomes. Dessa forma, o signo torna-se palavra e a escrita vincula-se à língua oral. Não é por menos que a Suméria é tida como o berço da escrita. A escrita: características e necessidades A frase “nada é feito por acaso” não existe por acaso. E a escrita é uma prova viva disso. A necessidade historicamente determinada fez que o homem inventasse meios mais e mais desenvolvidos de representar o que queria. Por exemplo: a palavra discórdia, que antes era representada por duas mulheres brigando (representação ideografia da ideia), passa a ser representada por uma mulher e uma corda e, finalmente, por um disco e uma corda (disco+corda), ligando-se à expressão fonética. O desenho é dos sons; a representação passa a ser dos sons e não mais do significado (Barbosa, 1990, p. 35)

 A escrita foi buscada sempre numa evolução do mais complicado ao mais simples, pois isso provocaria simplificação, economia e agilidade. Nesse percurso histórico, é muito interessante conhecer as condições de realização da escrita. Na Idade Média, inúmeros documentos foram destruídos para que os papiros pudessem ser aproveitados para construção de novos escritos. Nessa época, os copistas eram os responsáveis pela preservação dos documentos. Isso se fazia copiando, transcrevendo. Os escritos mais importantes eram postos nas bibliotecas, porém sem espaço para os que eram considerados leigos, pois estavam sempre sob o domínio da Igreja. Um novo suporte material para a escrita – o papel – vem para contribuir decisivamente ao desenvolvimento da questão. “As primeiras fábricas de papel na Europa foram fundadas pelos mulçumanos, na Espanha, Sicília e, posteriormente, Itália” (Barbosa, 1990, p. 38), mas isso só foi possível com o que os chineses ensinaram, pois foram estes quem inventaram o suporte. Até então, as impressões eram feitas, na sua maioria, sobre pranchas ou blocos fixos de madeira, metal ou pedra. Com Gutenberg, o inventor da tipografia, é que o pulo ocorre de uma forma impressionante. A imprensa agora se faz presente na humanidade. Fabricar e escrever muitos impressos estava bem mais simples e rápido. Com a impressão tornou-se possível a disseminação e conservação da cultura por meio da escrita. Esse domínio, essa apreensão da escrita, sempre foi e será associado ao desenvolvimento político-cultural de um povo. Vemos isso nos países mais desenvolvidos, onde o número de analfabetos é bem baixo, pois a grande parte da população tem acesso à escrita e aos bens que são produzidos na sociedade. As culturas mais ricas preocupam-se em oferecer educação de qualidade ao seu povo, pois isso é um indício de que a força do país irá se perpetuar por várias gerações. Infelizmente, em nosso país ocorre o contrário: oferece-se educação precária, pois não há muito interesse em formar cidadãos críticos. ALFABETIZAÇÃO, ESCRITA E LEITURA Ano 28 • nº 90 • Mai./Ago. • 2013 177 A língua e seus símbolos, dentre eles, e talvez o mais importante, a escrita, são características que formam um povo, caracterizam-no, educam-no e imprimem, juntamente com o contexto social, a História de dominação e dominados da humanidade. Produzir a escrita sempre se fez necessário, para que aqueles que detêm o poder possam dominar melhor as massas e, para estas, também é importante conhecê-la, mas não dominá-la muito, pois seria “perigoso” demais para quem comanda.

 

Aula 4 e 5:

Texto e Leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura, de Angela Kleiman. Ed. Pontes, 9ª Edição.

I)O conhecimento prévio na Leitura

II)Objetivos e expectativas da leitura

III)Estratégias de processamento de texto

IV)Interação na leitura de textos.


Aula 6:

Modalidades do Discurso

FIORI, José Luiz e Francisco Platão Savioli. Para Entender o Texto. Ed. Ática. São Paulo, SP. 16a Edição.

MODOS DE CITAÇÃO DO DISCURSO ALHEIO. In: PARA ENTENDER O TEXTO: LEITURA E REDAÇÃO.
(PLATÃO & FIORIN)
Na lição 21 – Modos de citação do discurso alheio - na obra Para entender o texto: leitura e redação, de Platão & Fiorin, percebe-se que num texto, vão entrando em cena personagens que falam, dialogam entre si, manifestam o seu discurso.

Vamos tratar dos expedientes que o narrador pode utilizar para reproduzir o discurso dos personagens e analisar o modo como o narrador insere na narrativa a fala que não pertence a ele.
Há três recursos para citar o discurso alheio: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.
Discurso direto – o narrador descreve a fala dos personagens por meio das próprias palavras deles. Tudo se passa como se o leitor estivesse ouvindo literalmente a fala desses personagens em contato direto com eles. Por isso esse expediente se denomina discurso direto.
São marcas típicas e importantes do discurso direto: a) é introduzido por um verbo que anuncia a fala do personagem que são denominados verbos de dizer; antes da fala do personagem, geralmente, há dois pontos e o travessão; os pronomes, o tempo verbal e palavras que dependem de situação são usados e determinados pelo contexto em que se inscreve o personagem, este fala ao seu interlocutor usando a 1ª pessoa, utiliza-se da 2ª pessoa e os tempos verbais são ordenados em relação ao momento da sua fala.
Discurso indireto – o narrador não reproduz literalmente as palavras do personagem, mas usa suas palavras de narrador para comunicar o que ele diz. A fala do personagem chega ao leitor por via indireta, pelas palavras do narrador, por isso denomina-se discurso indireto.
São marcas do discurso indireto: a) também é introduzido por um verbo de dizer; vem separado da fala do narrador por uma partícula introdutória, normalmente a conjunção QUE ou SE; os pronomes, o tempo verbal e os elementos que dependem de situação são determinados pelo contexto em que se inscreve o narrador e não o personagem; o verbo ocorre na 3ª pessoa e os tempos verbais são ordenados em relação ao narrador, o mesmo ocorrendo com os advérbios e demais palavras de situação.
Na conversão do discurso direto para o indireto, as frases interrogativas, exclamativas e imperativas passam todas para a forma declarativa.
Discurso indireto livre – corresponde a uma espécie de discurso indireto do qual se excluíram: os verbos de dizer e a partícula introdutória (que e se). Conservam-se, na forma interrogativa e imperativa, perguntas, ordens, súplicas ou pedidos. Estão presentes exclamações, interjeições e outros elementos expressivos.
A funcionalidade dos vários modos de reproduzir ou de citar o discurso alheio é que cada tipo de citação assume um papel distinto no interior do texto, e a escolha de um modo ou outro pelo narrador, pode revelar suas intenções e sua própria visão de mundo.
No discurso direto, o narrador cria um efeito de verdade porque mantém a mesma carga subjetiva do personagem.
No discurso indireto, podem-se criar diferentes efeitos de sentido, porque há dois tipos de discurso indireto: o que analisa o conteúdo e o que analisa a expressão.O discurso indireto livre mescla a fala do narrador com a do personagem. Do ponto de vista gramatical, o discurso é do narrador; do ponto de vista do significado, o discurso é do personagem.

Aula 7: VP1

Aula 8: Vista de Prova
a)Vista de Prova
b) Articulação entre escrita e leitura

Texto: Diretrizes para a leitura, análise e interpretação de textos em SEVERINO, Antônio Joaquim. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. Ed. Cortez, São Paulo, 22a Edição.

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3480016/mod_label/intro/SEVERINO_Metodologia_do_Trabalho_Cientifico_2007.pdf

Aula 9: 10/10

Coerência: Um princípio de interpretabilidade: Tipos de coerência; coerência e coesão no processamento do texto; relações entre recursos linguístico e expressivos e efeitos de sentido.

1)Coesão

TEIXEIRA, Leonardo. Comunicação na Empresa, pág.69 ed. FGV

 

a)Definição: Por coesão textual entende-se o conjunto de elementos estruturais que dão suporte às ideias, ou seja, a concretização, na forma, do que se pretendeu com o pensamento ao se elaborar o texto. A coesão textual é responsável pela unidade textual, pois sem ela, o texto ficaria fragmentado, sem ligação nítida entra as ideias. A falta de coesão textual é um grande empecilho à boa decodificação da mensagem.

 

b)Podemos definir a coesão como uma maneira de recuperar, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A (Curso de Redação:Antônio Suarez Abreu)

Ex: Pegue três maçãs,coloque-as sobre a mesa.

O Papa esteve,ontem, em Varsóvia. Lá,e le disse que a Igreja continua a favor do celibato.

 

c)Se o texto está bem construído, é coerente e coeso, obedece às normas gramaticais, tem precisão vocabular, cria-se no leitor a pressuposição de que as idéeas ali contidas merecem credibilidade. Por outro lado, se não se constrói um textos com as qualidades mencionadas, o leitor passa a desconfiar de todo o seu conteúdo.

 

2)Procedimentos de Coerência.

ABREU, Antonio Suarez. Curso de Redação. Ed. Ática Universidade

 

A correção gramatical é, sem dúvida, muito importante numa produção textual, mas os defeitos mais graves nas redações decorrem menos dos deslizes gramaticais que das falhas de estruturação da frase. Erros como incoerência , falta de unidade, falta de pensamentos claros são comuns nas salas de aulas. Expressando suas ideias com clareza, de forma coerente e objetiva, os alunos podem minimizar a gravidade dos erros gramaticais que, apesar de sua importância, não chegam a invalidar uma redação.

 

1)Um texto é coerente quando é possível interpretá-lo. Estudar a coerência de um texto é estudar as condições de sua interpretabilidade.

 

2)Condições de interpretabilidade em um texto:

 

a)Conhecimento e uso adequado dos recursos léxicos

b)Elementos contextualizadores: data, local, assinatura, elementos gráficos, etc

c)Conhecimento de mundo

 

3)Metarregras de coerência:

a)Metarregra de repetição (coesão textual)

b)Metarregra de progressão (apresentar continuidade, não ficar girando em torno do mesmo assunto)

c)Metarregra de não-contradição (cada pedaço do texto deve fazer sentido com o que se disse antes)

d)Metarregra de relação(estabelece que o conteúdo do texto deve estar adequado a um estado de coisas no mundo real)

 Aula 10: 17/10

Leitura como procedimento didático; Tipos de textos.

Texto: LAKATOS, Eva Maria e Marina Marconi. Fundamentos da Metodologia Científica. Ed. Atlas, São Paulo, 6a Edição.

Analise de Texto:

1-Fases

2-Objetivo e Procedimento

3- Partes da análise de texto

4- Tipos de análise de textos:

    a)Análise textual

    b)Análise temática

    c)Análise Interpretativa e Crítica

    d)Problematização

    e)Conclusão pessoal

II) Resenha Crítica: Conceito, requisitos, importância, estrutura, modelo. Resenha de romances, filmes e obras literárias.

Resenha Crítica
a)Conceito

b)Requisitos

c)Importância

d)Estrutura

e)Modelo

f)Resenha de filmes e romances

TEXTO:LAKATOS, Eva Maria e Marina de Andrade Marconi. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo,Ed. Atlas -2006.

Como elaborar uma resenha 
http://pucrs.br/gpt/resenha.php



1. Definições


Resenha-resumo:
     É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica:
     É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.


2. Quem é o resenhista


     A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.


3. Objetivo da resenha


     O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.


4. Veiculação da resenha


     A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas.


5. Extensão da resenha


     A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas.


6. O que deve constar numa resenha


Devem constar:

  • O título
  • A referência bibliográfica da obra
  • Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada
  • O resumo, ou síntese do conteúdo
  • A avaliação crítica

 

7. O título da resenha


     O texto-resenha, como todo texto, tem título, e pode ter subtítulo, conforme os exemplos, a seguir:

Título da resenha: Astro e vilão
Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson
Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995

Título da resenha: Com os olhos abertos
Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995

Título da resenha: Estadista de mitra
Livro: João Paulo II - Bibliografia (Tad Szulc) - Veja, 13 de março, 1996

 

8. A referência bibliográfica do objeto resenhado


     Constam da referência bibliográfica:

  • Nome do autor
  • Título da obra
  • Nome da editora
  • Data da publicação
  • Lugar da publicação
  • Número de páginas
  • Preço

Obs.: às vezes não consta o lugar da publicação, o número de páginas e/ou o preço.

Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto, num "box" ou caixa.

Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras; 310 páginas; 20 reais), é um romance metafórico (...) (Veja, 25 de outubro, 1995).


9. O resumo do objeto resenhado


     O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

     Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou idéias do objeto resenhado.

     Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft), na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática", escrita por Gilberto Scarton.


 


     "Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante".




 



     Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos.

     Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora, 26 de agosto, 1996), sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", produzido pela LDA Editora, com o apoio da Beal.


 

Receitas para manter o coração em forma



     "Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável.

     As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias".




 




10. Como se inicia uma resenha


     Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. Veja os exemplos:


 


     "Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso Pedro Luft, traz um conjunto de idéias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.




 



     Mais um exemplo:


 


     "Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995).




 



     Outra maneira bastante freqüente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra.

     Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt), escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo, 12 de julho, 1996).


 

O que é ser jovem

 

Hilário Franco Júnior


     Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos".

     Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico-culturais.

     Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt, da École des Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes.




 



     Observe igualmente o exemplo a seguir - resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996).


 

Receitas para manter o coração em forma


Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh Alimentos. 




 



     Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a interessar-se pela leitura.



11. A crítica


     A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estr presente desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram.

     O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.

     Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé".


12. Exemplos de resenhas


     Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações feitas ao longo desta apresentação.


 

Atwood se perde em panfleto feminista

 

Marilene Felinto
Da Equipe de Articulistas


     Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance.

     O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral".

     Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante.

     É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme fatale" que vive roubando os homens das outras.

     Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito.

     Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz".

     Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela).

     As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.

     Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado.




 




 

Estadista de mitra


Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa

 

Ivan Ângelo


     Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?

     O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo.

     Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco ... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".

     Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU.

     Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses.

     Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa".

     Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese.

     O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.




 




 

Um gramático contra a gramática

 

Gilberto Scarton


     Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino(L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

     Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

     Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

     Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.





 REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA com o apoio do  INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAU - IIM - Edital de Seleção de Candidatos a “BOLSAS DE PESQUISADOR JÚNIOR”

Características das Bolsas:
 As Bolsas de Pesquisa, terão a duração de 02 de janeiro de 2018 a 31 de dezembro de
2018;
 As Bolsas serão de R$ 500,00 por mês, cada;
 As pesquisas abrangerão as seguintes áreas do relacionamento entre o Brasil, China e Macau:
 Relações políticas;
 Relações econômicas;
 Relações culturais;
 Relações históricas;
 Macau: ponto de encontro de culturas;
 Macau e o Brasil.
e deverão, obrigatoriamente:
a) abordar e enriquecer, sempre que possível, aspectos relacionados com os países
de Língua Portuguesa;
b) utilizar, referir e destacar o acervo da biblioteca do Real Gabinete Português
de Leitura;
c) gerar um ensaio de qualidade, destinado a publicação.
Público-alvo:
 Preferencialmente, estudantes de Graduação ou de Pós-Graduação de Universidades sediadas
no Estado do Rio de Janeiro.
Documentos para Inscrição:
 Formulário de dados pessoais preenchido (obtido na Secretaria do Real Gabinete);
 Histórico escolar;
 Projeto de Pesquisa, elaborado em conjunto com Pesquisador vinculado a qualquer
universidade do Estado do Rio de Janeiro, à Câmara de Comércio Brasil-China ou outras
instituições de ensino superior.
Local/Prazo de Inscrição:
 Local: Secretaria do Real Gabinete Português de Leitura, de 2ª a 6ª feira, das 9:00h às
18:00h.
 Prazo: até 14 de novembro de 2017.
Comissão de Seleção:

Aula 11: 24/10/2017

Artigo Científico

        Texto: LAKATOS, Eva Maria e Marina Marconi. Fundamentos da                 Metodologia Científica. Ed. Atlas, São Paulo, 6a Edição.

1) Artigo Científico: Definição
2)Estrutura do Artigo
     a)Preliminares
     b)Sinopse
     c)Corpo do Artigo
     d)Parte Referencial
3)Conteúdo do Artigo Científico
4)Tipos de Artigos Científicos
     a)Artigo Teórico
     b)Artigo de Análise
     c)Artigo Classificatório
5)Motivação
6)Estilo
7)Avaliação
8)Informe Científico

Aula 12: 31/10/2017

LEITURA ARGUMENTATIVA

Texto 1:
FIORIN, José Luiz e Francisco Platão Savioli:" Para Entender o Texto,       Leitura e Redação". Ed. Ática, São Paulo, 17a Edição.

Texto 2:
GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em Prosa Moderna. Editora FGV, Rio de Janeiro,24a Edição.

 
 
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