Oficina de Leitura

Aula de Introdução: 09/08

I)Apresentação da disciplina: Site, textos, avaliação.

II)Leitura com experiência que ultrapassa a decodificação  da história sinais.

O que diz o primeiro documento escrito

TEXTO 1: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39842626

DA BBC BRASIL, 08/05/2017  16H32

 

Na Antiguidade, acreditava-se que a escrita vinha dos deuses. Os gregos pensavam tê-la recebido de Prometeus. Os egípcios, de Tot, o deus do conhecimento. Para os sumérios, a deusa Inanna a havia roubado de Enki, o deus da sabedoria.

Mas à medida que essa visão perdia crédito, passou-se a investigar o que levou civilizações antigas a criar a escrita. Motivos religiosos ou artísticos? Ou teria sido para enviar mensagens a exércitos distantes?

§  Como satélites estão revelando segredos da civilização maia

O enigma ficou mais complexo em 1929, após o arqueólogo alemão Julius Jordan desenterrar uma vasta biblioteca de tábuas de argila com figuras abstratas, um tipo de escrita conhecida como "cuneiforme", com 5 mil anos de idade, mais antigas que exemplares semelhantes encontrados na China, no Egito e na América.

As tábuas estavam em Uruk, uma cidade mesopotâmica - e uma das primeiras do mundo - às margens do rio Eufrates, onde hoje fica o Iraque. Ali, desenvolveu-se uma escrita que nenhum especialista moderno conseguia decifrar. E o que diziam as tábuas?

Quebra-cabeça

Havia ainda em Uruk outro quebra-cabeça arqueológico que não parecia ter nenhuma relação com as escrituras: suas ruínas e de outras cidades da Mesopotâmia estavam repletas de pequenos objetos de argila, uns em formato de cone, outros, de esferas, e alguns, de cilindro.

Em seu diário, Jordan descreveu que esses objetos se pareciam com "itens cotidianos, como frascos, pães e animais". Para que serviam? Ninguém entendia, até a arqueóloga francesa Denise Schmandt-Besserat catalogar nos anos 1970 peças similares localizadas em toda a região, da Turquia ao Paquistão, algumas com até 9 mil anos de idade.

uma das primeiras cidades do mundo: tinha ruas, lojas, casas e edifício de até dez andares

Schmandt-Besserat concluiu que os objetos tinham um propósito simples: eram usados em um método de contagem por correspondência, ou seja, feito por meio da comparação entre grupos de objetos e suas quantidades.

Assim, peças com formato de pão poderiam ser usadas para contar pães; de jarra, para jarras; e assim por diante. Desta forma, não é preciso saber fazer uma contagem nem conhecer os números envolvidos, apenas verificar quantidades de cada grupo de itens e checar se são iguais.

A contagem por correspondência é inclusive mais antiga que Uruk. Com 20 mil anos de idade, o Osso de Ishango, fíbula de um babuíno encontrada próxima de uma nascente do rio Nilo na República Democrática do Congo, parece ter sido usado para contar fazendo marcas nele.

Mas as peças de Uruk eram mais avançadas, porque podiam ser usadas para contar quantidades diferentes, além de servir para somar e subtrair.

da sabedoria

A economia de uma grande cidade como Uruk envolvia comércio, planejamento e arrecadação de impostos. Então, é possível imaginar os primeiros contadores da história, sentados na entrada de um armazém, usando peças com formato de pão para contar sacos de grãos que entravam e saíam.

Peças e tábuas

Mas Schmandt-Besserat notou outro aspecto revolucionário. As marcações abstratas nas tábuas cuneiformes coincidiam com as formas de diferentes peças.

Ninguém havia se dado conta da semelhança, porque a escrita não parecia representar nada. Mas Schmandt-Besserat entendeu o que havia ocorrido.

§  A enigmática joia que revela a agonia da civilização maia

As tábuas tinham sido usadas para registrar o ir e vir das peças, que, por sua vez, registravam o trânsito de bens, como ovelhas, grãos e jarras de mel.

Assim, as primeiras tábuas podem ter sido feitas com impressões das próprias peças sobre a argila ainda mole. E os antigos contadores logo se deram conta de que seria mais simples fazer marcas nelas com uma lâmina.

Então, a escritura cuneiforme era uma símbolo estilizado de uma impressão de uma peça que representava um bem. Não surpreende que ninguém tenha feito tal conexão antes de Schmandt-Besserat.

Ela resolveu duas questões ao mesmo tempo. As tábuas de árgila adornadas com a primeira escrita abstrata do mundo não haviam sido usadas para escrever poesia ou enviar mensagens a lugares remotos. Foram empregadas para fazer contas - e também para elaborar os primeiros contratos.

Isso graças a uma combinação das peças e da escrita cuneiforme que permitiu criar uma ferramenta brilhante: uma bola oca de argila.

externa e interna destas bolas de argila serviam para registrar os termos de um contrato

Na parte externa da bola, as partes envolvidas no contrato podiam escrever os detalhes do acordo. Dentro, colocava-se peças que representavam o contrato: a partir do que estava escrito do lado de fora, era possível checar a validade do que estava dentro.

Não se sabe quais eram as partes nestes contratos. Podiam ser dízimos religiosos para templos, impostos ou dívidas privadas. Mas as bolas serviam como ordens de compra e venda e tornaram possível a vida em sociedade em uma cidade complexa.

Trata-se de algo muito importante. A maioria das transações financeiras estão baseadas em contratos escritos: seguros, contas de banco, bônus do governo, acordos hipotecários. Tudo é registrado desta forma, e as bolas mesopotâmicas são a primeira evidência arqueológica de que contratos escritos existiam naquela época.

Números

O legado dos contatos de Uruk incluiu outra inovação. Em princípio, o sistema para registrar cinco ovelhas simplesmente requeria cinco impressões separadas para representá-las. Mas isso era trabalhoso.

Por isso, foi criado um novo sistema que incluía usar um símbolo abstrato para diferentes números:

tábua é um recibo com registro de uma transação envolvendo gado

Os números sempre eram usados para se referir a uma quantidade de alguma coisa: não haviam "dez", apenas "dez ovelhas". Mas esse sistema era suficiente para registrar grandes quantidades, centenas e milhares.

Um pedido de indenização por um ato de guerra de 4,4 mil anos atrás exigia, por exemplo, 4,5 bilhões de litros de grãos de cevada ou 8,94 "guru". Era um valor impagável, equivalente a 600 vezes a produção anual dos Estados Unidos hoje.

Foi desta forma que os cidadãos de Uruk resolveram um grande problema de qualquer economia moderna: como lidar uma rede de obrigações e planos de longo prazo entre pessoas que não se conheciam bem ou nem sequer se conheciam?

Para isso, criaram não só as primeiras contas e contratos, mas também os primórdios da matemática e da escrita. Então, escrever não foi um presente dos deuses, mas uma ferramenta desenvolvida por uma razão muito clara: gerenciar a economia.

 

 

Aula 2: 16/08

Níveis de Leitura; Estrutura Profunda do Texto

TEXTO: PLATÃO, Francisco e José Luiz Fiorin. Para entender o texto, leitura e redação. Ed Ática, 16ª Edição.

 

Níveis de Leitura de um texto

 

Ao primeiro contato com um texto qualquer, por mais simples que ele pareça, normalmente o leitor se defronta com a dificuldade de encontrar unidade por trás de tantos significados que ocorrem na sua superfície.

Numa crônica ou numa pequena fábula, por exemplo, surgem personagens diferentes, lugares e tempos desencontrados e ações as mais diversas. Na primeira leitura, parece impossível encontrar qualquer ponto para o qual convirjam tantas variáveis e que dê unidade à aparente desordem.

Mas, quando se trata de um bom texto, por trás do aparente caos, há ordem. Quando, após várias leituras, encontra-se o fio condutor, a primeira impressão de desorganização cede lugar à percepção de que o texto tem harmonia e coerência.

Desse modo, pode-se imaginar que o texto admite três planos distintos na sua estrutura:

1) uma estrutura superficial, onde afloram os significados mais concretos e diversificados. É nesse nível que se instalam no texto o narrador, os personagens, os cenários, o tempo e as ações concretas;

2) uma estrutura intermediária, onde se definem basicamente os valores com que os diferentes sujeitos entram em acordo ou desacordo;

3) uma estrutura profunda, onde ocorrem os significados mais abstratos e mais simples. É nesse nível que se podem postular dois significados abstratos que se opõem entre si e garantem a unidade do texto inteiro.

Após o que ficou exposto, pode-se concluir que o leitor cumpre o trajeto que parte da estrutura da superfície, passa pela intermediária e, por fim, chega à estrutura profunda. Parte dos significados dispersos na superfície para ir atingindo significados cada vez mais abstratos.

Os três níveis que compõem a estrutura do texto serão designados, a partir desta lição, pela seguinte nomenclatura:

— nível mais superficial: estrutura discursiva; — nível intermediário: estrutura narrativa;

— nível mais profundo: estrutura profunda.

Cada um deles será estudado separadamente em lições posteriores.

Recado ao senhor 903

Vizinho —

Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi de-pois a sua própria visita pessoal — devia ser meia-noite — e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito, a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 — que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 2 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 2 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas — e prometo silêncio.


Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro

mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela".

E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

BRAGA, Rubem.- . In: ANDRADE, Carlos Drummond de et alii. Para gostar de ler;crônicas. São Paulo, Ática, 1975. v. 1, p. 74-5.

Aula 3: 23/08

Histórico do Texto

TEXTO: https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoeducacao/article/view/499/2587

Alfabetização, Escrita E Leitura: Lugares (Não) Escondidos na História Dennys Dikson ALFABETIZAÇÃO, ESCRITA E LEITURA Ano 28 • nº 90 • Mai./Ago. • 2013 175

A escrita na história Indagar-se sobre o que seria a escrita é uma questão que, provavelmente, até uma criança que está se inserindo na escola poderia responder. Certamente, porém, explicar como a História humana fez a evolução da arte de escrever, e imaginar as transformações que os traços foram ganhando no decorrer do tempo, torna-se uma tarefa bem mais árdua. A escrita surge pela primeira vez no mundo antigo, abarcada por um momento caracterizado pelo desenvolvimento de uma série de acontecimentos, o que podemos chamar de civilização. Ela – a escrita – advém, juntamente com a desenvoltura das artes, do governo, do comércio, da agricultura, dentre outros. Esse contexto socioeconômico e cultural, propulsor do desenvolvimento das civilizações, não poderia funcionar se não houvesse a escrita. Goelb, citado por Barbosa (1990, p. 34), assegura que “a escrita existe somente em uma civilização e uma civilização não poderia existir sem a escrita”. Essa afirmação é algo que merece uma reflexão. Seria possível a humanidade ter o desenvolvimento que hoje há – como Medicina, tecnologia, cultura, transporte, educação – caso não houvesse a escrita? Bem, dizer que sim seria uma resposta impensada e fora de uma possibilidade real. O homem não teria e não existiria, tal qual hoje, se os escritos, em seus inúmeros meios e suportes criados no passar da História, não fossem como o são, pois é “principalmente a partir do registro escrito que se recompõe a forma de vida de um povo em uma determinada época” (Barbosa, 1990, p. 34), ou seja, os desenvolvimentos das formas escritas marcaram significativamente a humanidade na passagem das épocas.

É interessante elevar alguns pontos importantes e lembrarmos que o homem, através dos tempos, vem buscando comunicar-se com gestos, expressões e com a fala. A escrita tem origem justamente no momento em que ele aprende a comunicar seus pensamentos e sentimentos por meio de signos que sejam compreensíveis pela comunidade da qual faz parte e que esse sistema funcione convencionalmente como forma de comunicação. Por esse motivo, podemos dizer, e com uma boa segurança, que a pintura foi o antecedente, o ancestral da escrita. “A pintura, o desenho, passam a ser utilizados como símbolos, como auxílio para identificar uma pessoa ou objeto” (Barbosa, 1990, p. 34). Esta é uma etapa considerada descritiva que, posteriormente, evolui para uma etapa mnemônica ou representativa, ou seja, o mesmo desenho representava sempre o mesmo objeto ou ser para todos aqueles que tinham compreensão desse sistema representativo. Logo após surge a logografia: um desenho do “sol”, por exemplo, significa o próprio sol, mas também pode ser “brilhante”, “branco”, “claro”, “dia”. A idêntica representação se apropria de significados associados, ainda que não ligados ao oral, à fala, ao idioma. São justamente os sumérios que dão o passo decisivo para o desenvolvimento da escrita, pois a escrita ideográfica, composta de sinais que representam ideias e não palavras, surge. Daí, mais um excepcional passo é moldado: a escrita logográfica evolui para a cuneiforme, passando a representar os nomes por desenhos dos sons desses nomes. Dessa forma, o signo torna-se palavra e a escrita vincula-se à língua oral. Não é por menos que a Suméria é tida como o berço da escrita. A escrita: características e necessidades A frase “nada é feito por acaso” não existe por acaso. E a escrita é uma prova viva disso. A necessidade historicamente determinada fez que o homem inventasse meios mais e mais desenvolvidos de representar o que queria. Por exemplo: a palavra discórdia, que antes era representada por duas mulheres brigando (representação ideografia da ideia), passa a ser representada por uma mulher e uma corda e, finalmente, por um disco e uma corda (disco+corda), ligando-se à expressão fonética. O desenho é dos sons; a representação passa a ser dos sons e não mais do significado (Barbosa, 1990, p. 35)

 A escrita foi buscada sempre numa evolução do mais complicado ao mais simples, pois isso provocaria simplificação, economia e agilidade. Nesse percurso histórico, é muito interessante conhecer as condições de realização da escrita. Na Idade Média, inúmeros documentos foram destruídos para que os papiros pudessem ser aproveitados para construção de novos escritos. Nessa época, os copistas eram os responsáveis pela preservação dos documentos. Isso se fazia copiando, transcrevendo. Os escritos mais importantes eram postos nas bibliotecas, porém sem espaço para os que eram considerados leigos, pois estavam sempre sob o domínio da Igreja. Um novo suporte material para a escrita – o papel – vem para contribuir decisivamente ao desenvolvimento da questão. “As primeiras fábricas de papel na Europa foram fundadas pelos mulçumanos, na Espanha, Sicília e, posteriormente, Itália” (Barbosa, 1990, p. 38), mas isso só foi possível com o que os chineses ensinaram, pois foram estes quem inventaram o suporte. Até então, as impressões eram feitas, na sua maioria, sobre pranchas ou blocos fixos de madeira, metal ou pedra. Com Gutenberg, o inventor da tipografia, é que o pulo ocorre de uma forma impressionante. A imprensa agora se faz presente na humanidade. Fabricar e escrever muitos impressos estava bem mais simples e rápido. Com a impressão tornou-se possível a disseminação e conservação da cultura por meio da escrita. Esse domínio, essa apreensão da escrita, sempre foi e será associado ao desenvolvimento político-cultural de um povo. Vemos isso nos países mais desenvolvidos, onde o número de analfabetos é bem baixo, pois a grande parte da população tem acesso à escrita e aos bens que são produzidos na sociedade. As culturas mais ricas preocupam-se em oferecer educação de qualidade ao seu povo, pois isso é um indício de que a força do país irá se perpetuar por várias gerações. Infelizmente, em nosso país ocorre o contrário: oferece-se educação precária, pois não há muito interesse em formar cidadãos críticos. ALFABETIZAÇÃO, ESCRITA E LEITURA Ano 28 • nº 90 • Mai./Ago. • 2013 177 A língua e seus símbolos, dentre eles, e talvez o mais importante, a escrita, são características que formam um povo, caracterizam-no, educam-no e imprimem, juntamente com o contexto social, a História de dominação e dominados da humanidade. Produzir a escrita sempre se fez necessário, para que aqueles que detêm o poder possam dominar melhor as massas e, para estas, também é importante conhecê-la, mas não dominá-la muito, pois seria “perigoso” demais para quem comanda.

 

Aula 4 e 5:

Texto e Leitor: Aspectos Cognitivos da Leitura, de Angela Kleiman. Ed. Pontes, 9ª Edição.

I)O conhecimento prévio na Leitura

II)Objetivos e expectativas da leitura

III)Estratégias de processamento de texto

IV)Interação na leitura de textos.


Aula 6:

Modalidades do Discurso

FIORI, José Luiz e Francisco Platão Savioli. Para Entender o Texto. Ed. Ática. São Paulo, SP. 16a Edição.

MODOS DE CITAÇÃO DO DISCURSO ALHEIO. In: PARA ENTENDER O TEXTO: LEITURA E REDAÇÃO.
(PLATÃO & FIORIN)
Na lição 21 – Modos de citação do discurso alheio - na obra Para entender o texto: leitura e redação, de Platão & Fiorin, percebe-se que num texto, vão entrando em cena personagens que falam, dialogam entre si, manifestam o seu discurso.

Vamos tratar dos expedientes que o narrador pode utilizar para reproduzir o discurso dos personagens e analisar o modo como o narrador insere na narrativa a fala que não pertence a ele.
Há três recursos para citar o discurso alheio: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.
Discurso direto – o narrador descreve a fala dos personagens por meio das próprias palavras deles. Tudo se passa como se o leitor estivesse ouvindo literalmente a fala desses personagens em contato direto com eles. Por isso esse expediente se denomina discurso direto.
São marcas típicas e importantes do discurso direto: a) é introduzido por um verbo que anuncia a fala do personagem que são denominados verbos de dizer; antes da fala do personagem, geralmente, há dois pontos e o travessão; os pronomes, o tempo verbal e palavras que dependem de situação são usados e determinados pelo contexto em que se inscreve o personagem, este fala ao seu interlocutor usando a 1ª pessoa, utiliza-se da 2ª pessoa e os tempos verbais são ordenados em relação ao momento da sua fala.
Discurso indireto – o narrador não reproduz literalmente as palavras do personagem, mas usa suas palavras de narrador para comunicar o que ele diz. A fala do personagem chega ao leitor por via indireta, pelas palavras do narrador, por isso denomina-se discurso indireto.
São marcas do discurso indireto: a) também é introduzido por um verbo de dizer; vem separado da fala do narrador por uma partícula introdutória, normalmente a conjunção QUE ou SE; os pronomes, o tempo verbal e os elementos que dependem de situação são determinados pelo contexto em que se inscreve o narrador e não o personagem; o verbo ocorre na 3ª pessoa e os tempos verbais são ordenados em relação ao narrador, o mesmo ocorrendo com os advérbios e demais palavras de situação.
Na conversão do discurso direto para o indireto, as frases interrogativas, exclamativas e imperativas passam todas para a forma declarativa.
Discurso indireto livre – corresponde a uma espécie de discurso indireto do qual se excluíram: os verbos de dizer e a partícula introdutória (que e se). Conservam-se, na forma interrogativa e imperativa, perguntas, ordens, súplicas ou pedidos. Estão presentes exclamações, interjeições e outros elementos expressivos.
A funcionalidade dos vários modos de reproduzir ou de citar o discurso alheio é que cada tipo de citação assume um papel distinto no interior do texto, e a escolha de um modo ou outro pelo narrador, pode revelar suas intenções e sua própria visão de mundo.
No discurso direto, o narrador cria um efeito de verdade porque mantém a mesma carga subjetiva do personagem.
No discurso indireto, podem-se criar diferentes efeitos de sentido, porque há dois tipos de discurso indireto: o que analisa o conteúdo e o que analisa a expressão.O discurso indireto livre mescla a fala do narrador com a do personagem. Do ponto de vista gramatical, o discurso é do narrador; do ponto de vista do significado, o discurso é do personagem.

Aula 7: VP1

Aula 8:

a)Vista de Prova
b) Articulação entre escrita e leitura

Texto: Diretrizes para a leitura, análise e interpretação de textos em SEVERINO, Antônio Joaquim. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. Ed. Cortez, São Paulo, 22a Edição.

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3480016/mod_label/intro/SEVERINO_Metodologia_do_Trabalho_Cientifico_2007.pdf

Aula 9: 04/10

Coerência: Um princípio de interpretabilidade: Tipos de coerência; coerência e coesão no processamento do texto; relações entre recursos linguístico e expressivos e efeitos de sentido.

1)Coesão

TEIXEIRA, Leonardo. Comunicação na Empresa, pág.69 ed. FGV

 

a)Definição: Por coesão textual entende-se o conjunto de elementos estruturais que dão suporte às ideias, ou seja, a concretização, na forma, do que se pretendeu com o pensamento ao se elaborar o texto. A coesão textual é responsável pela unidade textual, pois sem ela, o texto ficaria fragmentado, sem ligação nítida entra as ideias. A falta de coesão textual é um grande empecilho à boa decodificação da mensagem.

 

b)Podemos definir a coesão como uma maneira de recuperar, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A (Curso de Redação:Antônio Suarez Abreu)

Ex: Pegue três maçãs,coloque-as sobre a mesa.

O Papa esteve,ontem, em Varsóvia. Lá,e le disse que a Igreja continua a favor do celibato.

 

c)Se o texto está bem construído, é coerente e coeso, obedece às normas gramaticais, tem precisão vocabular, cria-se no leitor a pressuposição de que as idéeas ali contidas merecem credibilidade. Por outro lado, se não se constrói um textos com as qualidades mencionadas, o leitor passa a desconfiar de todo o seu conteúdo.

 

2)Procedimentos de Coerência.

ABREU, Antonio Suarez. Curso de Redação. Ed. Ática Universidade

 

A correção gramatical é, sem dúvida, muito importante numa produção textual, mas os defeitos mais graves nas redações decorrem menos dos deslizes gramaticais que das falhas de estruturação da frase. Erros como incoerência , falta de unidade, falta de pensamentos claros são comuns nas salas de aulas. Expressando suas ideias com clareza, de forma coerente e objetiva, os alunos podem minimizar a gravidade dos erros gramaticais que, apesar de sua importância, não chegam a invalidar uma redação.

 

1)Um texto é coerente quando é possível interpretá-lo. Estudar a coerência de um texto é estudar as condições de sua interpretabilidade.

 

2)Condições de interpretabilidade em um texto:

 

a)Conhecimento e uso adequado dos recursos léxicos

b)Elementos contextualizadores: data, local, assinatura, elementos gráficos, etc

c)Conhecimento de mundo

 

3)Metarregras de coerência:

a)Metarregra de repetição (coesão textual)

b)Metarregra de progressão (apresentar continuidade, não ficar girando em torno do mesmo assunto)

c)Metarregra de não-contradição (cada pedaço do texto deve fazer sentido com o que se disse antes)

d)Metarregra de relação(estabelece que o conteúdo do texto deve estar adequado a um estado de coisas no mundo real)

 


Aula 10: 11/10

Leitura como procedimento didático; Tipos de textos.

Texto: LAKATOS, Eva Maria e Marina Marconi. Fundamentos da Metodologia Científica. Ed. Atlas, São Paulo, 6a Edição.

Analise de Texto:

1-Fases

2-Objetivo e Procedimento

3- Partes da análise de texto

4- Tipos de análise de textos:

    a)Análise textual

    b)Análise temática

    c)Análise Interpretativa e Crítica

    d)Problematização

    e)Conclusão pessoal




 
 
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